Por: Jheniffer Rabêlo

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sábado, 10 de abril de 2010

Prólogo

  O misterioso homem, Pedro, movimentava os olhos discretamente, porém rapidamente, conforme andava pela festa. Sua presença era como qualquer outra para os que festejavam, mas se prestassem atenção, Pedro parecia planejar algo naquele exato momento.Esperou até que o homem ficasse bêbado o bastante para tirá-lo da festa luxuosa que estava ocorrendo na casa de Roberto Montevida, e o conduziu pela escada de madeira muito bem feita e encerada, que dava um brilho mais reluzente em contato com todas aquelas luzes ofuscantes de vários candelabros; uns trabalhados em ouro e vidro, outros trabalhados em vidro e pedras preciosas. Enquanto subia as escadas, reparou nos diversos quadros que enfeitavam as paredes, e sentiu um frio na espinha por causa dos quadros que retratavam somente dor, e guerras sanguinárias. Um dos quadros era de Goya, um pintor espanhol muito conhecido por pintar tragédias. Ao chegar no topo da escada, virou à direita e encontrou a porta do escritório. Com a mão que estava livre, pois a outra estava segurando a cintura de Roberto, que já estava embriagado o suficiente para não conseguir se manter em pé.
  Quando abriu a porta, encontrou tudo como estava antes, a escrivaninha no meio da sala, uma estante repleta de livros velhos no canto esquerdo da sala e um divã no canto direito do escritório.Quase que carregando o homem, Pedro o deitou no divã e num movimento pausado e calmo, pegou uma cadeira e sentou-se de frente para Roberto. Montevida dizia a Pedro o quão estava triste, pois estava desconfiado de que sua mulher o traía, e que o medo de seu casamento o abalava, também por seus negócios, casas, caso houvesse um desquite.Pedro o ouvia com total atenção, e assentia às vezes para que a sua vítima soubesse que ele prestava atenção no que dizia. No momento em que Roberto terminou seu desabafo, sentiu um sono o puxar para o seu âmago. “É agora”, pensou Pedro. Pegou uma Derringer Sharps do bolso de seu paletó costurado por um dos alfaiates mais famosos da Europa, e deu um tiro preciso no meio da cabeça de Roberto. Após o tiro, colocou a arma cuidadosamente na mão do homem morto e caminhou tranquilamente pelo escritório, e fechou a porta.
Como se nada tivesse acontecido, desceu as escadas calmo e elegantemente. Passou por todos na festa sorrindo, cumprimentando as pessoas que estavam na mesma. Saiu da casa de Roberto Montevida, dono de uma das fábricas de doces mais famosas da Europa. Foi até seu carro e dirigiu ao hotel onde estava hospedado.


Domingo, 3 agosto de 1898

No dia seguinte, Pedro foi ao encontro de Mariana Montevida para pegar a última parte da encomenda feita pela mulher - a morte de seu marido. A noite estava calma, a lua, em seu auge. Com a decisão de última hora, ficou perambulando pelo parque contemplando a visão de crianças brincando, casais apaixonados e vendedores de pipoca.
Andou sem rumo até que entrou em um bordel que era completamente luxuoso, e, por dentro dele, transbordava luxúria por todos os cantos que eram possíveis olhar. Mulheres usando espartilhos exagerados, o que valorizava infimamente os seus seios. Homens alisando suas pernas e colocando notas no meio dos seus seios, a maioria desses homens eram casados – e ricos. Pedro Maragno era um italiano que estava de passagem por seu país natal. Estava sempre elegantemente bem vestido, tinha por volta de 1,87m de altura, cabelos negros e olhos tão negros que mais lembravam olhar um poço sem fim vazio e misterioso, o que chamou muito a atenção das prostitutas. Por isso, muitas mulheres foram ao encontro dele, na chance de serem escolhidas para dormir com aquele homem misteriosamente sedutor.
Maragno, por fim, escolheu duas meretrizes para passar a noite; uma ruiva, com belos seios, pele de seda, olhos azuis e a outra era morena, com uma pele que mais parecia porcelana e tinha olhos castanho-claros sedutoramente excitantes.


Segunda-feira, 4 de agosto de 1898

Ao amanhecer, caminhou até o hotel onde estava hospedado quando a secretária lhe disse que havia um pacote destinado a ele. Pedro tocou e analisou o pacote, decidindo mentalmente, abri-lo em seu quarto. Pegou o elevador e entrou calmamente em seu aposento. Tirou o paletó, sentou-se na cama e abriu o pacote que estava em suas mãos. Nele continha um bilhete e vários maços de dinheiro. No bilhete estava escrito com uma letra bem grafada:

" Sr Pedro Maragno,






Meu nome é Jean Louis Della Fontaine, moro na França mas estou aqui na Itália para tratar de negócios com você, pois conheço o seu trabalho e parece que você faz isso com classe. O dinheiro dentro do pacote é a entrada e, depois da execução, receberá o restante. Encontre-me neste endereço: Rua Das Flores, Avenida 7, no Café Da Mama. Esteja lá às duas horas em ponto. Não atrase."

- Preciso arrumar minhas malas - disse Pedro, depois de ler o bilhete com atenção e deu um sorriso presunçoso.

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Quando o grande parece ser pequeno

Quando o grande parece ser pequeno
Existe alguma coerência no fato de um carioca se mudar para Imperatriz? Certamente você responderia com firmeza: NÃO! Influenciados por vários motivos chegaríamos a essa conclusão rapidamente. Mas eu te digo, a resposta depende do ponto em que se vê a pergunta.Onde encontraríamos pessoas de tantas localidades do Brasil agrupadas em um só lugar? Imperatriz do Maranhão seria a minha alternativa correta!Fazendas, localização de rios, agricultura, já fazem parte do repertório de assuntos. Ah, não poderia me esquecer do gosto musical. Forró e Sertanejo agora dividem espaço com o Rock e a MPB. E de maneira alguma classificaria isso por retrocesso ou atraso e sim diversidade. A vida está na diversidade das coisas, das pessoas e tudo mais que possa haver. Estar aberto para experimentar essas novas situações é a questão em foco.O carioca é legal, simpático, alegre, mas não conheço muitos que tenham se mudado para um lugar tão distante e diferente. (Diferente pelo menos ao meu ver, não que isto seja um problema, é apenas um comentário! ) Cariocas consideram o Rio de Janeiro o melhor lugar do mundo. Lá é o lugar, praias, shoppings, pão e circo pra toda gente! Mas me pergunte quantos já saíram de sua redoma urbana e se aventuraram a habitar em terras longínquas. No alto da minha pequena jornada de 20 anos não vejo esse empenho.Como seres adaptáveis, nos acostumamos a tudo. A violência faz parte, o engarrafamento para ir ao trabalho é uma oportunidade de ouvir todas as músicas que você baixou e ainda não ouviu, estar em pé dentro de um ônibus lotado é um complemento da malhação, um alongamento que dura quase 1h e meia. E aí assim caminhamos ...Caminhamos tanto que não vemos diante de nossos olhos outra realidade que não possa ser aquela em que estamos inseridos. E nascemos, e vivemos, e morremos sem perceber que existe uma infinidade de outros mundos que poderíamos descobrir.Nunca considere o grande, grande o suficiente pra te fazer parar. Prossiga e desbrave! Por: Rebeca Avelar Jornalismo Federal - Informação com Formação. Acesse:http://www.jornalismofederal.blogspot.com/